Atendimentos para dependentes de drogas sobe em média 112%

Atendimentos para dependentes de drogas sobe em média 112%

Unidade é espaço para dependentes de álcool e outras drogas buscarem

auxílio e compartilharem suas experiências

Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas
Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas

Referência no atendimento especializado a pessoas com necessidades em decorrência do uso de álcool e outras drogas, o Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas (CAPS AD) já atendeu 1.915 pessoas neste ano. A média mensal, entre janeiro e março, é de 638 atendimentos, número 112% maior que a média de 2017. Em todo o ano passado, a unidade recebeu 3.635 pessoas, cerca de 300 por mês.




“Temos uma variedade de grupos terapêuticos desenvolvidos pelos técnicos da equipe multidisciplinar oferecidos aos pacientes e seus familiares. Além de procedimento de recepção, contamos com nove grupos terapêuticos e oito oficinas. Nossa equipe é formada por médico clínico, psiquiatra, psicólogo, assistente social, enfermeiros e técnicas em enfermagem, que são responsáveis pela elaboração do Plano Terapêutico Singular (PTS), onde cada pessoa tem um planejamento próprio à sua necessidade”, explicou a psicóloga e coordenadora do CAPS AD, Leandra Iglesias. A partir desta segunda-feira (09.04), os atendidos vão passar a contar, também, com aulas de yoga.

Segundo o relatório mais recente divulgado pelo Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, em pesquisa feita em 108 cidades com mais de 200 mil habitantes, quase 22% dos entrevistados disseram ter usado, em algum momento da vida, drogas, com exceção de álcool e tabaco.


De acordo com a pesquisa, os homens apresentam maior uso na vida e maior dependência de álcool, por exemplo, do que as mulheres, em todas as faixas etárias. A faixa etária que apresenta a maior dependência é a de 18 a 24 anos (19,2%), seguida da de 25 a 34 anos (14,7%).

O Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas (CAPS AD) funciona em tempo integral, todos os dias, e fica na Rua Monsenhor Bacelar, número 492, no Centro da cidade. Durante a semana, a unidade promove atividades abertas ao público em geral, com avaliação multiprofissional (consultas clínicas, psiquiátricas e psicológicas). As ações são sempre das 8 às 21h.

 

Paciente vê no CAPS AD oportunidade de dar a volta por cima

Paciente do CAPS AD há sete meses, R. D. S., de 35 anos, começou o envolvimento com as drogas ainda na infância, aos 10, quando convivia com o vício do padrasto em bebidas alcoólicas. Ele conta que, nesta fase, começou a ter contato com o álcool, que o levou, posteriormente, a outros entorpecentes.

“Passava meus dias vendo meu padrasto bebendo e muitas vezes fui até buscar as bebidas para ele no bar. Isso me despertou o interesse e foi onde comecei. Aos doze, parti para a maconha, na qual fui dependente por dez anos. Mais tarde, senti a necessidade de buscar algo mais forte, tentando me libertar da timidez, cheguei à cocaína e minha vida passou a se resumir em a consumir. Qualquer momento livre era hora de usar a droga. Antes, durante e depois do trabalho, nas horas de convívio em família, sempre. Comecei a ter problemas no trabalho e precisei partir para o tráfico para conseguir manter meu vício”, contou.




Os problemas relacionados à droga começaram a abalar a relação dele com a família, causando transtornos emocionais e desconfiança quanto ao futuro. Estas incertezas o fizeram desistir de tudo, chegando a tentar tirar a própria vida por duas vezes.

“Foi Deus quem me deu outra oportunidade de tentar recomeçar. Há seis anos cheguei na pior fase da minha vida e tentei o suicídio por duas vezes. Na primeira, o galho de uma árvore em que havia amarrado a corda que prendia meu pescoço se quebrou quando me pendurei. Na segunda, quando já estava no local e hora determinada, recebi a ligação da mãe da minha filha. Ela pediu que fosse fazer uma visita, pois minha filha estava muito assustada. Tinha acordado de um sonho, em que me via ensanguentado, e pedia insistentemente para me ver. Desisti naquele momento do que estava prestes a fazer e fui encontrá-la. Depois daquele dia, decidi buscar ajuda”, disse R. D. S, que está há três meses “limpo”.

“É muito melhor estar limpo. Me sinto mais tranquilo para sair com meus filhos, aproveito mais, curto mais a vida. Tenho meu trabalho, o apoio da minha família e a parceria de todos aqui do CAPS AD. Inclusive, quero representar os pacientes na Conferência. Quero mostrar como o trabalho que é feito aqui surte efeitos se houver interesse e comprometimento”, finalizou, citando a II Conferência Municipal de Políticas sobre Drogas, que acontece no fim do mês.

Inscrições para II Conferência Municipal de Políticas sobre Drogas vão até o dia 16

 A II Conferência Municipal de Políticas sobre Drogas, promovida pela Prefeitura e o Conselho Municipal de Políticas Sobre Drogas (CMPD), está com as inscrições abertas. Esta segunda edição vai acontecer nos próximos dias 27 e 28, na Faculdade Arthur Sá Earp (FASE), e terá como tema “Sociedade, Álcool e Drogas: o que fazer? “.




O cadastro para todos os participantes serão realizadas até o próximo dia 16, das 9 às 16h, na sede da Casa dos Conselhos, que fica na Av. Koeler, 260, no Centro, ou pelo site da prefeitura (www.petropolis.rj.gov.br). A eleição dos 42 delegados vai acontecer no dia 25, também na Casa dos Conselhos, às 18h, e se dará através de reunião de grupos das categorias, onde participarão os representantes credenciados das entidades participantes interessadas e a Comissão Organizadora da Conferência.

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