Editorial – Colonização Germânica em Petrópolis

Editorial – Colonização Germânica em Petrópolis

Colonização Germânica em Petrópolis

 Família Monken (acervo fotográfico do Museu Imperial)
Família Monken (acervo fotográfico do Museu Imperial)

Por: Kelly Caroline dos Santos Vieira Gomes
Graduanda em História pelo Centro de Teologia e Humanidades da Universidade Católica de Petrópolis.

Na primeira metade do século XVIII, a população germânica passava por dificuldades sociais e econômicas, além de tensões no âmbito político. Nesse contexto, os germânicos se viram frente à necessidade de busca acerca de melhores condições de vida, optando por seguirem em direção à América. Em 1837, chegaram ao Rio de Janeiro aproximadamente 238 imigrantes vindos através do navio Justine.

Colonização Germânica em Petrópolis
Colonização Germânica em Petrópolis

Os mesmos objetivavam embarcação destinada à Austrália, mas por questões de tratamento durante a viagem decidiram não dar continuidade à mesma.





Perante o ocorrido, Major Júlio Frederico Koeler contatou a Sociedade Colonizadora do Rio de Janeiro com a pretensão de encaminhá-los para trabalhar na abertura da Estrada Normal da Serra da Estrela, o que foi concretizado posteriormente.

Ao conceder tal permissão aos colonos, alguns destes desenvolveram trabalhos inicialmente no Meio da Serra com caminho ao Itamarati. Além disso, outros germânicos foram recrutados pelos presidentes da Província João Caldas Viana e Aureliano Coutinho com destinação às obras provinciais, mas chegaram à Petrópolis em um terreno do plano urbanístico de Koeler.

No ano de 1844, Aureliano Coutinho contatou a empresa Charles Delrue & Cia, proveniente de Dunquerque, a fim de realizar um acordo com a mesma, resultando na contratação de imigrantes para se estabelecerem nas obras que se iniciariam. Porém, por motivos de interpretação, de modo oposto à destinação de colonos especializados na construção de estradas, foram enviadas famílias que, em maioria, não possuíam domínio na área desejada, resultando na vinda de aproximadamente 2.340 imigrantes com embarcação a partir de 13 navios.

Por observar a inexistência de condições para alojamento, Aureliano Coutinho buscou auxílio de Paulo Barbosa na intenção de que se obtivessem soluções de hospedagem na Fazenda Santa Cruz. Possuindo conhecimento acerca dos planos de Koeler voltados à realização de uma colônia agrícola em Petrópolis, Paulo Barbosa realizou um acordo com o mesmo tornando viável a vinda dos imigrantes para a cidade. Em 13 de junho de 1845, chegaram ao Rio de Janeiro aproximadamente 161 colonos germânicos por embarcações realizadas pelo navio Virginie, ficando instalados em Niterói. Posteriormente, foram transferidos ao Arsenal de Guerra do Rio, onde atualmente está situado o Museu Histórico Nacional.

Fazenda Córrego Seco. Fonte: Museu Imperial
Fazenda Córrego Seco. Fonte: Museu Imperial

Em seguida, seguiram viagem pela Baía da Guanabara e Rio Inhomirim direcionando-se ao Porto da Estrela com passagem pela Fábrica de Pólvora, chegando à Fazenda do Córrego Seco em 29 de junho de 1845. Durante esse contexto, os imigrantes germânicos enfrentaram dificuldades de adaptação, mas obtiveram um crescimento populacional devido ao trabalho e perseverança. Com o intuito de propiciar uma melhor adaptação aos imigrantes germânicos, Koeler intitulou alguns quarteirões de Petrópolis com o nome de suas regiões de origem, como Mosela, Bingen, Siméria e Castelânia.



Através de inúmeras realizações como a abertura de estradas, participação em obras públicas, ratificação de rios, edificações de residências, instalações comerciais e, posteriormente, desenvolvimento referente às áreas industriais, estes colonos se tornaram relevantes para a construção de Petrópolis, que foi elevada à categoria de cidade em 1857.

Nesse sentido, cabe destacar o monumento Obelisco que teve seu desenvolvimento voltado ao propósito de comemorar o centenário da cidade, além de homenagear os imigrantes germânicos com a fixação em sua base de quatro placas de bronze com os registros dos nomes das famílias dos mesmos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

NETTO, Jeronymo Ferreira Alves. Cento e cinquenta e cinco anos de colonização alemã em Petrópolis.
Disponível em: <http://ihp.org.br/26072015/site/default.htm> Acesso em: 10 de junho, 2018.

COSTA, Fernando. Petrópolis, cidade de Koeler e de todos nós.
Disponível em: <http://ihp.org.br/26072015/lib_ihp/docs/fsc19980316.htm> Acesso em: 10 de junho, 2018.

LOPES, Raul. Obelisco.
Disponível em: < http://www.ihp.org.br/26072015/lib_ihp/docs/rl20060220.htm> Acesso em: 10 de junho, 2018.

RODRIGUES, Maria das Graças Duvanel.
A cultura dos imigrantes alemães referendando a educação e a religião protestante em Petrópolis.
Disponível em: < https://anpedsudeste2014.files.wordpress.com/2015/07/maria-das-grac3a7as-duvanelrodrigues.pdf>
Acesso em: 10 de junho, 2018.

TAULOIS, Antônio Eugênio. Os valores petropolitanos.
Disponível em:<http://www.petropolis.rj.gov.br/fct/index.php/petropolis/historia> Acesso em: 10 de junho, 2018.




Matéria escrita e enviada por: Kelly Caroline dos Santos Vieira Gomes
Imagens: Internet
Edição: R. Loureiro

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