Análise | Episódio 2 de The Walking Dead: A Temporada Final deixa gosto amargo




Análise | Episódio 2 de The Walking Dead: A Temporada Final deixa gosto amargo

[Atualização: Esta análise foi escrita antes de a Telltale afirmar, na noite da segunda-feira, 24 de setembro, que “parceiros em potencial” demonstraram interesse e ofereceram ajuda para finalizar os episódios 3 e 4 de The Walking Dead: A Temporada Final. O estúdio, entretanto, ainda estuda uma forma de fazer isso acontecer e, por enquanto, não forneceu mais detalhes sobre o assunto]

The Walking Dead alçou a Telltale Games ao panteão das grandes desenvolvedoras de jogos, abocanhando o título de Melhor Jogo do Ano em 2012 e marcando o retorno dos títulos focados em narrativa. Seis anos depois, a série chegaria ao fim com The Walking Dead: A Temporada Final, com previsão de quatro capítulos para encerrar a história de Clementine. Chegaria…

No fim da semana passada a Telltale anunciou a demissão de 225 funcionários e o encerramento de suas atividades. Na casa, ficaram apenas 25 profissionais para cumprir acordos comerciais firmados em contrato com parceiros. A notícia foi recebida como uma bomba na indústria de jogos, e, embora o estúdio não tenha comentado nada a respeito, a atriz que interpreta Clementine afirmou que The Walking Dead: A Temporada Final está sepultado.

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Jogar Vinde as Criancinhas depois de saber de tudo isso não foi fácil. Afinal de contas, como falar de um jogo que, como as vidas no mundo apocalíptico de The Walking Dead, foi ceifado antes de cumprir com seu destino nesse mundo?

Cuidado! Daqui em diante a análise pode conter spoilers para quem não jogou o episódio Chega de Fugir.

Responsabilidade e confiança

O Episódio 2 de The Walking Dead: A Temporada Final segue mostrando as dificuldades de Clementine em lidar com a vida adulta precoce a que, sem escolha, foi submetida. Desta vez, porém, o capítulo foca mais nas consequências e desdobramentos dos acontecimentos que findaram Chega de Fugir, distanciando-se de seu tom intimista. Isso significa que, em certa medida, o roteiro larga mão de tentar aprofundar os personagens e volta à fórmula Telltale de sempre: personagem lidando com as consequências do último episódio, plot twist, clímax, anticlímax e desfecho com novo clímax.



Apesar do feijão com arroz, o estúdio ainda consegue abordar alguns temas importantes e criar pelo menos um grande momento de intimidade entre Clementine e AJ. Julgados pelos membros da Ericson Academy, que perguntam a todo instante “o que você ensinou a esse garoto?”, a personagem se vê responsabilizada pelo que o garoto fez e numa encruzilhada moral entre culpá-lo, perdoá-lo ou explicar regras de convívio social que simplesmente parecem não fazer mais sentido no cenário atual.

Clementine continua sua jornada pela vida adulta precoce, agora tendo de se responsabilizar pelas atitudes de AJ (Captura de tela: Sergio Oliveira)

Independentemente da forma que você decide guiar o caso, toda a confiança construída até ali ruiu e seu destino está selado, não havendo outro caminho a ser trilhado que não fora dos muros da escola.

O inimigo agora é outro

Embora tanto nos quadrinhos, quanto na televisão e nos videogames The Walking Dead tenha feito fama por causa dos mortos-vivos, a verdade é que eles são apenas um pano de fundo para falar dos verdadeiros monstros: os vivos. Ao longo dos jogos da Telltale isso é abordado em várias medidas e em doses diferentes. Porém, em A Temporada Final, o mundo está como está há muitos anos, e todas as relações sociais estão tão degradadas e podres quanto a carne das criaturas que vagam por ali.

O que antes parecia um lar se torna um inferno como o restante do mundo e Clem e AJ têm de partir mais uma vez
O que antes parecia um lar se torna um inferno como o restante do mundo e Clem e AJ têm de partir mais uma vez (Captura de tela: Sergio Oliveira)

Em Vinde as Criancinhas, o estúdio lança novas luzes sobre a temática resgatando um personagem da primeira temporada para mostrar como tudo está tão arruinado. Agora ele é o líder de um grupo que sequestra pessoas e as transforma em soldados para combater não zumbis, mas outros vivos ao norte daquela região. Por serem “velhos conhecidos”, surge a proposta de poupar a garota e AJ disso, mas, em troca, ela tem de entregar a localização da escola. A chantagem, obviamente, não é bem-recebida por Clementine, que escapa com AJ e a ajuda dos seus antigos amigos e de um estranho que se veste com pele de zumbi para viver entre eles.

Antes parte de um grupo chamado Sussurradores, James abandonou os colegas por divergências e decidiu viver camuflado no meio de todo aquele inferno, tratando os zumbis com respeito ao invés de enxergá-los como uma ameaça a ser combatida. É a primeira vez que essa filosofia de sobrevivência é apresentada nos jogos, mas o tempo e importância despendidos ao personagem são curtos e, por isso, nos fazem pensar sobre quais seriam os planos da Telltale para eles.

Novo personagem desperta a curiosidade e traz uma nova filosofia de sobrevivência à trama nos videogames
Novo personagem desperta a curiosidade e traz uma nova filosofia de sobrevivência à trama nos videogames (Captura de tela: Sergio Oliveira)

Tropeçando e cambaleando

Desse momento em diante, Clementine decide arriscar voltar à escola para conseguir remédios, avisar sobre o ataque iminente e oferecer ajuda. Sem praticamente qualquer resistência, ela é aceita de volta e inicia sua redenção. Porém, se por um lado vemos um trabalho para “ajeitar as coisas com os outros” a ponto até mesmo de a semente de um romance ser plantada de uma forma muito, mas muito bem dirigida e delicada, por outro vemos o Episódio 2 tropeçar e cambalear em outros aspectos.

Os clichês e a fórmula seguida pelo roteiro são até aceitáveis, mas é difícil fechar os olhos para a estufa negligenciada há tempos e que abriga meia dezena de zumbis a poucos metros do pátio principal da escola. Simplesmente não faz nenhum sentido definir um perímetro de segurança e haver pessoas capazes de abater zumbis nas florestas e não fazerem o mesmo ali, no quintal de casa. O ressurgimento de um personagem que claramente havia sido devorado no Episódio 1 por pelo menos três mortos-vivos é outro tropeço e pareceu um artifício preguiçoso para criar um confronto que naturalmente iria acontecer de um jeito ou de outro.

Também faltou mais polimento nas mecânicas de combate, até então pouco exploradas em A Temporada Final. Ao fim de Vinde as Criancinhas, passamos pelo primeiro grande combate desta última temporada e o que vemos é uma mira falha, tiros que não atingem os inimigos mesmo quando o jogo indica o contrário e quick time events sofríveis e com timing duvidoso que nos faz sentir falta dos jogos antigos.

Vinde as Criancinhas peca em momentos decisivos e deixa um gosto amargo e o coração apertado por não sabermos o que o futuro reserva para a série
Vinde as Criancinhas peca em momentos decisivos e deixa um gosto amargo e o coração apertado por não sabermos o que o futuro reserva para a série (Captura de tela: Sergio Oliveira)

A experiência após o gameplay de duas a três horas de duração é ligeiramente positiva, mas sua qualidade está abaixo de Chega de Fugir, e é impossível não sentir um gostinho amargo e um peso no coração após concluir este Episódio 2. A promessa é de um próximo episódio muito movimentado, recheado de ação e que apontaria, finalmente, para o desfecho da história de Clementine. Uma pena que isso provavelmente ficará apenas no imaginário e enterrado a sete palmos como a Telltale e o trabalho das centenas de profissionais agora desempregados.

The Walking Dead: A Temporada Final – Vinde as Criancinhas está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC. No Canaltech, o jogo foi analisado no PS4 com cópia gentilmente cedida pela Telltale Games.

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