Guardas civis se preparam para o trabalho de detecção em escombros

Guardas civis se preparam para o trabalho de detecção em escombros

Três agentes e o responsável técnico do canil participaram de um curso internacional em São Paulo

Serviço de localização de vítimas soterradas está sendo preparado pela corporação, que teve contato com técnica alemã de treinamento dos cães

Guardas civis se preparam para o trabalho de detecção em escombros
Guardas civis se preparam para o trabalho de detecção em escombros

Além dos dois cães que estão sendo treinados para trabalhar na detecção de vítimas soterradas, os agentes da Guarda Civil de Petrópolis também estão se preparando para o serviço. Três agentes e o responsável técnico do canil participaram de um seminário internacional de detecção na cidade de Osasco, em São Paulo. O curso foi ministrado por Andre Brendler, proprietário da empresa que desenvolveu a técnica de treinamento de cães que é utilizada pela polícia da Alemanha.


O seminário abordou todos os tipos de detecção que os cães podem realizar, incluindo drogas e armas. No entanto, os agentes da Guarda Civil de Petrópolis tiveram como foco a detecção em escombros, um serviço que está sendo somado ao trabalho realizado pelo canil municipal.

“O bacana foi a oportunidade de perceber que as técnicas empregadas no treinamento dos cães aqui em Petrópolis são as mesmas ensinadas no curso, o que mostra que nós estamos no caminho certo, apesar de não ter os mesmos recursos que eles possuem lá”, destacou o responsável operacional do canil, guarda Vinicius Silva. Além dele, participaram do seminário os agentes Carlos Carvalho e Marcelo Dias.


Em Petrópolis, duas cadelas estão sendo preparadas para conseguir localizar vítimas que estejam soterradas após deslizamento de terra e pedras. Tina e Tarja Preta são duas pastores belga-malinois de nove meses, que já estão sendo preparadas desde os três meses de vida para auxiliar a Defesa Civil na procura em escombros. Elas já podem ser usadas em caso de necessidade, mas o treinamento vai continuar até setembro do ano que vem. Neste período, será realizado treinamento de expansão de odor.

“Uma das coisas que foi colocada no curso é que uma pessoa viva emite menos odor do que um morto. Então os cães precisam ter o faro muito apurado. O que nós estamos fazendo agora é um treinamento para que eles consigam diferenciar o odor corporal do odor presente em uma roupa ou outro objeto que tenha tido contato com a pessoa soterrada”, explica o responsável técnico do canil, Leandro Lopes, que também esteve no seminário.

O treinamento para alcançar esse nível de detalhe é feito com os cães tendo que diferenciar cadaverina (que são objetos com sangue, como gazes ou absorvente) de outros objetos escondidos em caixas de madeira. Durante o curso, os agentes da Guarda Civil foram orientados a utilizar garrafas de vidro para esconder estes materiais, porque a caixa de madeira pode exalar odores que o vidro não exala – o que pode atrapalhar o cão.


O canil de Petrópolis tem oito cães adultos que fazem detecção de drogas e armas e que são usados para proteção (são usados, por exemplo, em manifestações e eventos com grande público). Além deles, o canil tem ainda uma cadela para terapia com pacientes doentes e também quatro animais menores – metade será treinado para detecção de drogas e as duas cadelas para o trabalho em escombros. Para isso, são além dos dois responsáveis, mais nove guardas fazem a manutenção dos cães e do canil. Vários parceiros são responsáveis por doações de medicamentos, alimentos e atendimento veterinário de rotina e emergência.

O trabalho para detecção em escombros só foi realizado em Petrópolis em 2011, quando uma ONG trouxe um cão que ajudou no resgate de seis corpos soterrados no Vale do Cuiabá. Agora, este serviço será permanente.


“A gente está preparando não só os cães, mas também os agentes que vão fazer esse serviço com os animais. Os guardas também precisam estar prontos quando for necessário atuar e é nisso que estamos investindo. É mais um serviço que será colocado para a população. Nós torcemos para que não seja necessário usar, mas se for preciso, essas cadelas vão poder contribuir para salvar vidas ou diminuir a dor de quem perder um familiar ou um amigo”, disse o comandante da Guarda Civil, Jeferson Calomeni.

Cerca de 60 pessoas participaram do seminário, entre membros de Aeronáutica, Exército, Polícia Federal, Polícia Militar de São Paulo, guardas de Teresópolis, Foz do Iguaçu e Porto Alegre, entre outras instituições.

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