SP – Laudo aponta fio de câmera desencapado e energia em outro poste e na grade

SP – Laudo aponta fio de câmera desencapado e energia em outro poste e na grade

São Paulo

Perícia aponta possibilidade de outro poste ter mandado energia para grade que jovem saltou antes de choque.

Empresa responsável por monitoramento contesta o laudo.

Empresa responsável por monitoramento contesta o laudo
Empresa responsável por monitoramento contesta o laudo

Laudo do Instituto de Criminalística (IC) realizado após a morte de um jovem eletrocutado durante o Carnaval em São Paulo, e obtido com exclusividade pelo SP1, aponta “uma falha no isolamento de componentes elétricos” e um fio desencapado de uma câmara de segurança instalada em um poste. O jovem Lucas Antônio Lacerda da Silva, de 22 anos, morreu eletrocutado após encostar no poste em que estava a câmera em 4 de fevereiro.




As câmeras de segurança haviam sido colocadas por empresas contratadas pela Prefeitura para monitorar a folia. O jovem participava do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta quando foi vítima de um choque elétrico ao encostar no poste.

O problema do fio desencapado, segundo o laudo, teria transformado o poste em um condutor. Mas, informações complementares obtidas pela Polícia Civil com base em depoimentos, e confirmadas em novo laudo complementar solicitado pelo delegado responsável pelo caso, apontam que o poste que o jovem encostou (da CET) não estava energizado.


O poste que estava energizado era outro, da Ilume (departamento de iluminação), a poucos metros do local. O segundo poste teria transportado energia para uma grade de proteção, que também ficou energizado, e no qual o jovem encostou ao pular, conforme imagens de câmeras que gravaram o momento em que Lucas levou o choque.

Duas câmeras

Segundo o laudo, havia duas câmeras instaladas na esquina da rua Consolação com a Mathias Aires, onde Lucas morreu. Agora, o laudo do IC aponta que uma das câmeras instaladas no poste, a câmera 27, possuía um problema escondido – um fio com uma parte desencapada. A análise confirmou “a presença de cabos elétricos seccionados no interior da caixa de proteção sem isolamento é resultante de descuido e desrespeito às normas técnicas”.



Segundo o perito que analisou o problema, a falha energizou a caixa de proteção e o poste metálico, transformando o poste em um condutor.

As câmeras de segurança haviam sido instaladas pela empresa Dream Factory, vencedora da licitação e contratada pela Prefeitura para organizar o carnaval de rua da cidade. A empresa lamentou o ocorrido e informou que estava colaborando com as investigações.

Já a GWA Systems, empresa responsável pela instalação das câmeras para monitorar o pré-carnaval de rua em São Paulo, negou que seus equipamentos tenham energizado o poste. Os advogados da empresa contestam todos os aspectos do laudo do Instituto de Criminalística sobre as câmeras e dizem que, ao longo do processo, vão apresentar provas que mostram que o laudo está equivocado.

Outro poste estava energizado

O delegado que investiga o caso pediu ao Instituto de Criminalística um novo laudo, pois não considerou o caso esclarecido só com estas informações. Ao longo das investigações, a Polícia Civil apurou outros fatos que poderiam gerar dúvidas sobre de onde veio a energia elétrica que matou Lucas.

Imagens mostram que outras pessoas encostaram no mesmo poste antes de Lucas morrer, sem receber descarga elétrica. Em outro vídeo é possível ver um rapaz sentir um choque ao encostar em uma grade de proteção na calçada.

O que também chamou a atenção do delegado foram os depoimentos de dois funcionários da Eletropaulo que estiveram no local do acidente no dia em que ocorreu. Eles afirmaram que o poste da CET onde foram instaladas as câmeras de segurança da Dream Factory não estava energizado. Mas, o poste do Ilume, que fica há poucos metros do local, estava. Nele, os técnicos mediram 105 voltz de tensão.




Uma das dúvidas que o delegado quis tirar no laudo complementar é a possibilidade do outro poste, o da Ilume, ter transportado energia e colaborado para a morte. O perito do IC apontou ser possível que as grades tivessem energizadas e que isso possa ter alcançado a vítima, provocando a morte.

Fonte: G1

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