Mentira, Boato, Farsa – Epidemia de aranha marrom

Mentira, Boato, Farsa – Epidemia de aranha marrom

Perigosa sim, epidemia não.

BOATO - Epidemia de aranha marrom
BOATO – Epidemia de aranha marrom

Devemos sempre ter cuidado ao vestir uma roupa, ou calçar um sapato ou luva, não apenas por conta de aranhas, mas por vários motivos.

Desfazendo o BOATO

Um aviso de “utilidade pública” sobre os riscos da popular aranha marrom tem circulado nas redes sociais e pelo WhatsApp. No texto, é informado que há uma “epidemia” – termo usado nas postagens de maneiro errada, o correto seria infestação – destes aracnídeos na região sul do Brasil e que a picada do animal pode necrosar o local dentro de três dias e até causar a morte caso não haja tratamento. O alerta não é verdadeiro.




Conforme o biólogo do Laboratório de Artrópodes do Instituto Vital Brazil Claudio Maurício de Souza, o Sul usualmente concentra o maior número de casos de picadas, embora a espécie seja encontrada em todo o país. Não é, portanto, algo anormal ou incomum.

– A aranha marrom começou a chamar atenção desde a década de 1990, quando realmente houve um crescimento de acidentes no Brasil e no Sul em particular – diz.

Como são sedentárias, estas aranhas não costumam sair muito das suas teias, exceto na época de reprodução, quando os machos saem atrás das fêmeas. Este período ocorre geralmente durante os meses mais quentes. Rotineiramente, o animal tem hábitos noturnos.

Quando picada, geralmente, a pessoa demora a perceber o ferimento. Souza afirma que a mordida só é notada entre três e seis horas após o incidente. Neste período, a região apresenta vermelhidão, dor e pode haver a formação de bolhas escuras na região. A orientação é procurar atendimento médico o mais cedo possível, para utilização do soro específico e para cuidados com o ferimento.

– Se corretamente diagnosticado e tratado, o prognóstico é bom – avalia o biólogo.

Caso não seja tratada, a região pode, sim, necrosar. No entanto, isso ocorre de forma lenta e gradual. Everton Nei Lopes Rodrigues, professor de Biologia da Unisinos, diz que este problema pode aparecer dentro de uma semana:



– É um caso um pouco mais sério, pois a necrose favorece a entrada de bactérias oportunistas, dificultando a cicatrização – garante.

Este ferimento pode atingir a musculatura e requerer até cirurgia plástica para correção da área afetada. Mesmo sendo considerada uma das aranhas mais perigosas do Brasil, os casos de óbito são considerados raros. Quando ocorrem, geralmente estão associados à atuação da toxina do animal nos rins, fígado e no sangue.

– Em geral, quando ocorre é por insuficiência renal – fala Rodrigues.

Como cuidado, a dica é sacudir roupas e sapatos antes de usá-los e manter jardins e pátios limpos. Em caso de picada, deve-se procurar atendimento médico o mais rápido possível. De acordo com o professor, o Paraná é o Estado que concentra o maior número de acidentes com a aranha marrom.

Por que elas são mais comuns no Sul?

Embora não seja uma questão fácil de responder, especialistas apontam algumas hipóteses que podem explicar este fenômeno. O biólogo Claudio Maurício de Souza cita as mais comuns:



– Fatores climáticos que favoreceriam a biologia do animal estariam mais concentrados nos Estados do Sul.
– Questões sociais referentes à ocupação humana: casas de madeira, com muitos móveis, quadros, sótãos e porões poderiam beneficiar o animal.
– Como os acidentes chamaram a atenção primeiro no Sul, a vigilância nestes locais é maior. Há mais notificações e os órgãos responsáveis estão mais atentos ao problema.

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