Milicianos monitoraram movimentação da polícia na operação desta quinta-feira

Milicianos monitoraram movimentação da polícia na operação desta quinta-feira

“Havia um monitoramento desde Bangu.”

‘Informe os amigos para sair’, diziam eles’, afirmou o delegado a respeito da conversa dos criminosos nesta manhã.

'Informe os amigos para sair’, diziam eles'
‘Informe os amigos para sair’, diziam eles’

Treze mandados de prisão foram cumpridos nesta quinta-feira (19) em operações da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público na Zona Oeste do Rio e em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.




Os agentes visavam a cumprir 22 mandados de prisão preventiva contra suspeitos de integrar a milícia. Dos presos, cinco já haviam sido detidos em uma festa em Santa Cruz no dia 7 de abril. Três já estavam mortos.

Segundo o delegado, na ação desta quinta, os criminosos monitoraram a movimentação dos carros da polícia o tempo inteiro. “Havia um monitoramento desde Bangu, na Avenida Brasil. ‘Informe os amigos para sair’, diziam eles”, afirmou o titular da Draco, delegado Alexandre Herdy, sobre a conversa dos milicianos a respeito da operação que a polícia realizou nesta manhã.


As investigações foram intensificadas após um ataque cometido por milicianos do bairro Km 32 contra equipes da Draco na região de Nova Iguaçu, em junho do ano passado.

Material apreendido na operação desta manhã
Material apreendido na operação desta manhã

“Eles são muito organizados, e é muito difícil a repressão a esse grupo. Mas é um golpe na organização”, avaliou o delegado, explicando ainda que há uma mudança de perfil. “Hoje não há mais tantos policiais nessa organizações. Isso não é comum”, finalizou.

Entre os presos, estão um ex-membro da Brigada Paraquedista, preso em Santa Cruz, e um ex-fuzileiro naval.

Foram apreendidos um porrete, folhas de anotação de cobrança de gás, mais de R$ 4,6 mil, equipamentos de transmissão de sinal de TV a cabo, joias, coletes à prova de balas e fardas.



Chefe da milícia escapou de cerco da polícia

Danilo Dias Lima, conhecido como Tandera ou Danilo dos Jesuítas, é considerado um dos líderes da milícia que atua em Campo Grande, Santa Cruz e bairros vizinhos. Danilo fugiu da festa em Santa Cruz quando foram presas centenas de pessoas suspeitas de participar da milícia. Três dos quatro mortos eram seguranças de Danilo.

Apesar de ter começado sua atuação no bairro Jesuítas, em Santa Cruz, de onde vem um dos seus apelidos, Danilo é citado em investigações e depoimentos como um dos responsáveis pela criação de “franquias” da milícia na Baixada, e sua consequente expansão para Nova Iguaçu, Seropédica e Itaguaí.

“Isso e o que eles chamam de expansão da franquia da firma”, explicou o promotor Fabio Corrêa. “Suas atividades mais lucrativas são o pagamento de taxa de segurança, transporte alternativo, cobrança compulsória de gás, entre outras”, afirmou Herdy.

Investigações da Polícia Civil e do Ministério Público estadual mostram que, além de haver indícios de lavagem de dinheiro com carros, joias e fazendas, uma das maiores milícias do Rio investe na extração e exploração de areia e saibro em Seropédica, na Baixada Fluminense.

O empresário responsável pelo negócio é Luís Antônio da Silva Braga, irmão de Wellington da Silva Braga, o Ecko, procurado por chefiar a milícia com influência em Campo Grande, Paciência, Santa Cruz, Cosmos e Inhoaíba.




Ecko assumiu o grupo após a morte de outro irmão, Carlos da Silva Braga, o Carlinhos Três Pontes. De acordo com promotores do Ministério Público, Luiz Antonio é o sócio da Macla Extração e Comércio de Saibro. Luiz Antonio foi preso pela Draco em 2015 acompanhado por dois seguranças – um deles policial militar. O empresário acabou liberado no Plantão Judiciário.

Anúncios

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.