Milícias diversificam rede de serviços e passam a atuar como grupos de extermínio no Rio

Milícias diversificam rede de serviços e passam a atuar como grupos de extermínio no Rio

Situação financeira está tão difícil que até as milicias do RJ, estão expandindo rede de serviços

Milícias diversificam rede de serviços e passam a atuar como grupos de extermínio no Rio
Milícias diversificam rede de serviços e passam a atuar como grupos de extermínio no Rio

As milícias que exploram moradores de comunidades cobrando taxas ilegais, como as de sinal clandestino de TV a cabo, estão fornecendo mão de obra para a execução de assassinatos no Rio de Janeiro.




Informações recebidas pelo Disque-Denúncia (2253-1177) e pela Polícia Civil revelam que matadores dos grupos paramilitares são suspeitos em algumas das 10.374 mortes ocorridas em 2016 e 2017. A da vereadora Marielle Franco, assassinada no último dia 14 com seu motorista, Anderson Gomes, seria uma delas.

Apesar de a investigação ser sigilosa, fontes indicam que milicianos estariam por trás da execução, que teve repercussão mundial.


A vereadora Marielle Franco, do PSOL. Assassinada
A vereadora Marielle Franco, do PSOL. Assassinada

Outro caso cuja suspeita recai sobre matadores profissionais a serviço de uma milícia é o do suplente de vereador Paulo Henrique Dourado, o Paulinho P9. Ele foi morto a tiros no último dia 20 em Magé, na Baixada Fluminense.

Suplente de vereador Paulo Henrique Dourado, o Paulinho P9: assassinado no último dia 20, em Magé. Suplente de vereador Paulo Henrique Dourado Assassinado
Suplente de vereador Paulo Henrique Dourado assassinado

Pedindo anonimato, um policial que investiga grupos paramilitares disse que milicianos têm sido contratados para assassinatos por encomenda.

— Há informações no sentido de que homicídios dentro da contravenção estão ligados a pistoleiros vinculados a milícias — disse o agente.

Segundo o Disque-Denúncia, das 79 denúncias sobre matadores profissionais recebidas nos últimos 24 meses,18 apontavam milicianos.

— A Baixada sempre teve grupos de extermínio. Mas , atualmente, eles migraram para as milícias. Acreditamos que o número de mortes praticadas por milicianos seja igual ou maior do que o provocado por traficantes na Baixada — afirmou o delegado Evaristo Pontes, da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).



Grupos se expandem para São Gonçalo e Baixada Fluminense

Além da Baixada e das Zonas Norte e Oeste do Rio, grupos milicianos expandiram o raio de atuação para São Gonçalo, na Região Metropolitana. No último dia 2, agentes da Delegacia de Homicídio de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) conseguiram prender, em Magé, na Baixada, Felipe Raoni da Silva, o Mineirinho. Segundo a delegada Bárbara Lomba, da DHNSG, Mineirinho é investigado em mortes que estão sendo apuradas em pelo menos 20 inquéritos que tramitam na especializada.

— Mineirinho trabalhava para milícia e tinha como principal função a de executar vítimas para o grupo, mas também atuava fazendo cobranças – disse a delegada.

Segundo a polícia, Mineirinho trabalhava para milícia que atua nos bairros de Porto Velho, Pontal e Boa Vista.

Ações de pistoleiros de aluguel

Em 2016, foram registrados no estado 5.042 assassinatos. No ano seguinte, o número pulou para 5.332, um amento de 5,8%. Na Baixada, em 2016, 1.791 pessoas foram mortas nos 13 municípios da região. Em 2017, ocorreram 1.879 assassinatos, um aumento de 4,9%. Nesse universo estão incluídos, numa escala bem menor que a dos crimes executados por milicianos e traficantes, ações praticadas por pistoleiros de aluguel. É assim que são conhecidos, segundo a polícia, matadores oriundos de regiões diferentes de onde vivem suas vítimas. Agem por dinheiro e quase sempre sem ter vínculo com o mandante da execução.

— Esse tipo de crime é difícil de investigar já que geralmente não há vinculo entre o executor e o mandante. O contato com executor, nesses casos, é feito por um agenciador — disse o delegado Evaristo Pontes.

Bando responde por três assassinatos

Uma milícia que atua em Seropédica, na Baixada, é apontada em inquérito da DHBF como responsável pela morte de três políticos na região. Os crimes ocorreram entre 2015 e 2016, em Seropédica e Nova Iguaçu. Um dos assassinatos ocorreu no dia 15 de novembro de 2015. O vereador do município, Luciano Nascimento Batista (PCdoB), o DJ, foi executado com tiros de fuzil quando saía de uma festa, em Seropédica. A segunda morte aconteceu em Nova Iguaçu, quando o pré-candidato a vereador e subtenente da PM Manoel Primo Lisboa, o Primo, foi assassinado no bairro Cabuçu, no dia 17 de junho de 2016.




A terceira vítima foi o sargento da PM Juliano Fraga dos Reis, de 38 anos. Ele foi morto em Seropédica, no dia 20 de agosto de 2016, e era pré-candidato a vereador. Na época, o delegado Giniton Lages, que estava na DHBF, disse que as mortes ocorreram por conta de interesses da milícia.

Segundo a polícia, os dois militares eram suspeitos de integrar milícias da Baixada. O subtenente Primo explorava negócios que interessavam à quadrilha da Zona Oeste, assim como Fraga.

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