MPF dá prazo para Concer se pronunciar sobre riscos em áreas escavadas

MPF dá prazo para Concer se pronunciar sobre riscos em áreas escavadas

Engenheiro contratado pela Concer admite relação entre cratera e escavações do túnel
Engenheiro contratado pela Concer admite relação entre cratera e escavações do túnel

O Ministério Público Federal (MPF) determinou que em um prazo de 20 dias a Concer informe à Defesa Civil de Petrópolis qual a extensão dos danos causados pela escavação do túnel no Bingen. Com documentos e laudos, a Defesa Civil quer garantir que não há riscos na região de entorno, com exceção do local danificado pela cratera de 70 metros e profundidade e 30 metros de diâmetro, às margens da BR-040, na altura do quilômetro 81, sentido Rio.



“Queremos, baseados em laudos técnicos e sondagens, garantir que está afastado risco no Capela, Bingen e Duques – onde houve movimentação de construção da nova pista de subida da serra – em especial no trecho do túnel que teria 4,6 quilômetros pelo projeto da Concer”, afirma o secretário de Defesa Civil, Paulo Renato Vaz.

A concessionária terá o mesmo prazo – até o dia 07 de dezembro – para se pronunciar sobre a situação da rodoviária, também no Bingen. O tempo foi determinado em uma reunião na sede do órgão federal na manhã desta sexta-feira (17.11), que contou com a presença do secretário de Defesa Civil e Ações Voluntárias, coronel Paulo Renato Vaz, da Procuradoria Geral do município e da Concer.


Até terça-feira (21.11) a concessionária deverá apresentar cópia de todos os relatórios já elaborados pelas empresas contratadas – seriam 6 empresas – que fizeram imagens e sondagens na área da cratera e em outros pontos do túnel. Também foi determinado que a concessionária entregue até quarta-feira (22.11) as análises realizadas na Comunidade do Zizinho, no motel Play Love  e no Clube de Tiro, todos interditados desde o último sábado (11.11).

“Precisamos que a Concer nos forneça informações e laudos técnicos para que seja possível fazermos uma avaliação mais precisa da situação”, afirma o secretário de Defesa Civil, que espera mais rapidez por parte da concessionária na entrega dos documentos. “O acesso às informações dos estudos realizados nos últimos dias é fundamental para avaliarmos os próximos passos”, completa Paulo Renato.

A Concer também terá que apresentar ao MPF e à Defesa Civil, em um prazo de 15 dias, o relatório do trabalho realizado com um equipamento subaquático, que fez incursão no túnel na última terça-feira (14.11), além dos estudos realizados nas áreas secas do túnel.

“De posse de documentos de toda a obra e do que foi afetado, poderemos avaliar o que está preservado, o que está comprometido e, só então, emitir um laudo”, considera Paulo Renato Vaz.




Engenheiro contratado pela Concer admite relação entre cratera e escavações do túnel

Indagado pelo MPF e pela Defesa Civil, o engenheiro Marcelo Hastings, da empresa PCE Engenharia – contratada pela Concer para investigar o ocorrido – admitiu que a cratera está associada às escavações do túnel. O engenheiro revelou dados sobre a operação realizada pelo submarino não tripulável – equipamento que, acompanhado por vídeo, captou informações sobre as condições no interior do túnel em inspeção na terça-feira (14.11). O equipamento adentrou o túnel por 674 metros, contatando que o mesmo estava integro até a região onde ocorreu o abatimento de solo, ponto onde a passagem foi bloqueada pelos sedimentos.

O engenheiro explicou ainda que as prospecções em curso têm o objetivo de colher elementos que ajudem a esclarecer o fato, e que após sondagens rotativas, o material coletado será encaminhado para análises.

Questionado pelas procuradoras da República Joana  Barreiro Batista e Vanessa Seguezzi quanto ao monitoramento do túnel após a paralisação das obras, o gerente do Consórcio Construtor da Nova Subida da  Serra (NSS), Bruno Alexssander do Amaral, repetiu a informação dada na semana passada ao juiz da 4ª Vara Cível, Jorge Luiz Martins, ao qual informou que as obras foram paralisadas em junho de 2016 e que o  monitoramento, feito pela empresa JAC Minas, foi realizado até novembro do ano passado.

O gerente afirmou ao MPF que a determinação de paralisação do monitoramento não partiu do consórcio NSS, alegando que este não sabia que o monitoramento seria interrompido em novembro. Bruno Amaral disse ainda às procuradoras que o consórcio informou à Concer sobre a necessidade de monitoramento do túnel.




A engenheira da Defesa Civil, Ana Caroline Duarte Dutra, informou ao MPF que o monitoramento contínuo e a drenagem da água acumulada no interior do túnel, poderiam ter evitado o ocorrido no dia 7.

A reunião foi realizada na manhã desta sexta-feira (17.11), na sede do Ministério Público Federal. As procuradoras estão à frente de um inquérito civil  que acompanha as medidas que serão adotadas para restabelecimento de serviços essenciais e de assistência às vítimas, em decorrência do desastre ocorrido na altura do quilômetro 81 da BR-040, próximo à comunidade do Contorno – notícia de erosão possivelmente atribuída às obras do túnel da Nova Subida da Serra de Petrópolis, cuja saída se dá na Estrada Duarte da Silveira.

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