Plebiscito será necessário para decidir permanência das tradicionais ‘vitórias’.

Plebiscito será necessário para decidir permanência das tradicionais ‘vitórias’.

Plebiscito será necessário

TRE definiu que votação, convocada pela Câmara de Vereadores, será realizada no primeiro

turno das Eleições 2018.

decidir permanência das tradicionais vitórias
decidir permanência das tradicionais vitórias

Petrópolis, na Região Serrana do Rio, terá um plebiscito para votar pelo fim ou permanência das tradicionais vitórias, as famosas charretes que ficam em frente ao Museu Imperial atendendo aos turistas.





De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a votação será no 1º turno das eleições deste ano, que vai ocorrer no dia 7 de outubro. O plebiscito foi convocado pela Câmara de Vereadores da cidade.

O autor do projeto de lei que deu origem ao plebiscito, vereador Meireles, afirma que esta foi a maneira que encontrou para que a questão seja debatida, de forma democrática.

“É um assunto polêmico, que sempre é discutido nas ruas, na internet e até na própria Câmara legislativa e que ninguém chega a nenhuma conclusão”, afirma.


A notícia não agradou os charreteiros que trabalham na cidade, como João Ricardo de Oliveira, de 38 anos. Pai de três filhos menores, ele afirma que trabalha na área há 15 anos e depende do trabalho para sustentar a família.

“Nós tínhamos concordado em substituir as vitórias por charretes elétricas, quando isso foi proposto em uma reunião na Câmara. Mas não é isso que está acontecendo. Querem votar o fim do nosso trabalho, sem que seja apresentada uma alternativa para quem depende desse emprego”, destaca.

Já o charreteiro, Leonardo Monteiro de Souza, de 33 anos, disse que a notícia sobre o plebiscito trouxe preocupação para os trabalhadores. Ele atua há 15 anos na área e herdou a profissão do pai, que está aposentado.

“A gente só sai daqui com um serviço para trabalhar! Como que vamos ficar desempregados?”, questiona ele, que tem dois filhos menores.

Segundo Leonardo, não há justificativa para o fim das vitórias, uma vez que, segundo ele, os animais são bem cuidados, fazem exames a cada dois meses e têm acompanhamento de um veterinário.

“Nós não queremos problema, queremos a solução. Achamos que, com fiscalização dos órgãos competentes, não precisa acabar com o serviço”, disse.

Moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a comerciante Luciana de Pontes, de 43 anos, e o marido Marcio de Pontes, de 42 anos, afirmam que são a favor da continuação do serviço.




“Estou aqui vendo os animais e, aparentemente, não vejo nada de errado. Pelo contrário, as pessoas usam as vitórias para conhecer a cidade. Esta é a segunda vez que venho a Petrópolis e faço o passeio”, disse Luciana.

ONGs questionam sobre destino dos cavalos

A protetora de animais, presidente da Ong Anima Vida, Ana Cristina Ribeiro, acredita que antes de ser proposto o fim das vitórias, deve-se pensar no destino desses animais.

“É preciso saber para onde eles serão levados porque não vai ser tarefa fácil encaminhar esses cavalos. Hoje, nós fazemos o acompanhamento deles, sabemos que têm atendimento veterinário especializado e são alimentados e vacinados corretamente, mas e depois? Para onde vão?”, questiona.

Substituição

A vereadora Gilda Beatriz afirma que em 2017 foi feito um termo de intenção para substituir as vitórias por charretes elétricas. Na época, ela disse que a maioria dos charreteiros concordou e assinou o documento.




“Encaminhei o termo para a Prefeitura e a ideia era de que as charretes elétricas fossem adquiridas por meio de um recurso do Ministério do Turismo que previa uma contrapartida de apenas 10% do município. Mas até o momento não teve nenhum avanço”, disse Gilda.

Tradição

Para o historiador, Joaquim Eloy, acabar com as vitórias é o mesmo que rasgar a tradição da cidade. Ele lembra que os deslocamentos por charretes e cavalos já eram feitos por Petrópolis, mesmo antes da fundação do município.

“Foi o primeiro meio de transporte, antes da chegada do trem e dos automóveis. Era assim que D. Pedro I chegava na cidade e depois D. Pedro II. As vitórias fazem parte da nossa história e atendem os turistas que querem conhecer o Centro Histórico. Se o problema são os cuidados com os animais, então é preciso investir na fiscalização e não no fim da atividade”, destaca.

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