Apesar de lei que permite apresentações artísticas, músico é expulso de composição do metrô




Apesar de lei que permite apresentações artísticas, músico é expulso de composição do metrô

O governador Luiz Fernando Pezão sancionou, nesta quarta-feira, uma lei que permite apresentações artísticas dentro do metrô, trens e barcas. Antes, as performances eram proibidas pelas concessionárias. Entretanto, ainda sem regulamentação da Secretaria de Transportes, os artistas ainda não possuem garantia para se apresentarem sem serem impedidos, conforme flagrou a reportagem do GLOBO durante visita ao metrô:um músico, que sabia da lei, foi expulso de uma composição por seguranças, no Largo do Machado. Os agentes disseram que a viagem só poderia continuar após a saída deles. Apesar do incidente, artistas dizem estar aliviados e esperançosos.

— Sabemos que os seguranças tem que cumprir o papel deles, mas fico feliz que agora nós vamos ter a garantia que poderemos trabalhar —, afirmou Wanderlino Martins. Desde 2015, o bailarino profissional se apresenta nos vagões do metrô. O personagem da vez é o herói Pantera Negra.

Ele afirma que, apesar da liberação, é preciso se preocupar com o bem estar dos passageiros.

— Antes de começar eu vejo se o vagão está muito cheio. Além disso se pedirem para abaixar o som, eu abaixo. Mas acredito que 90% curte o trabalho — conta.

Wanderlino, ou o Pantera, é integrante da Kafig, uma companhia francesa de dança. Seus números acrobáticos são inspirados no filme “Os Vingadores: Guerra Infinita”, e faz um grande sucesso nas estações.

Lei estadual que autoriza artistas a se apresentarem dentro do metrô. Bailarino que faz o personagem Pantera Negra. Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo



O texto proíbe que os artistas cobrem cachê dos usuários, mas permite que recolham doações espontâneas. Além disso, determina que as empresas responsáveis pela gestão desses transportes criem um cadastro de artistas que já trabalham ou queiram se apresentar. Entretanto, esse cadastro tem apenas a função de organizar o horário das exibições, não sendo permitido impedir que pessoas não cadastrados trabalhem.

Pelos vagões, nem todos sabiam da nova lei. Surpreso ao ouvir sobre a novidade, o dançarino Enrico Marone, que começou a apresentar seus números em 2013 nos trens da SuperVia, disse que, para ele, são poucas as pessoas que não gostam das apresentações, e a violência das ruas da cidade obriga que eles migrem para os transportes.

— É um entretenimento para as viagens que são bem monótomas. São o que? dois minutos de exibição. Hoje em dia, com tanta violência, as pessoas têm medo de parar uns 5 minutos na rua para ouvir uma banda, ou assistir um grupo de dança. Isso pode ser fatal para que ela seja assaltada — comenta.

Uma pesquisa feita em março pelo Ibope, encomendada pelo MetrôRio, apontou que 66% dos usuários do transporte prefere que as apresentações sejam feitas apenas nas estações.

Em nota a concessionária disse que posicionou-se totalmente contra manifestações artísticas dentro dos vagões, por questões de segurança e dos riscos operacionais que a presença dos músicos dentro dos vagões pode causar. A Supervia, em nota, também se posicionou contra as exibições. Procurada a CCR disse ” que cumpre rigorosamente o Contrato de Concessão firmado junto ao Poder Concedente e trabalha para oferecer um serviço de qualidade aos usuários do transporte aquaviário do Estado do Rio de Janeiro.”

Leia na íntegra a nota do MetrôRio:

“O MetrôRio é totalmente contrário e entende que os vagões não são locais apropriados para apresentações artísticas. No interior das composições, devem ser observadas em primeiro lugar as condições de segurança dos clientes, inclusive dos próprios artistas. Em todos os principais metrôs do mundo, as apresentações dentro dos trens são proibidas, para evitar acidentes e problemas na operação. Apresentações artísticas no interior dos trens oferecem riscos aos usuários e comprometem o fluxo de pessoas, seja em situações normais ou em momentos de necessidade de deslocamento rápido de ocupantes.

Em consonância com regras mundiais de acessibilidade e segurança, é necessário também observar os avisos sonoros e alertas de emergência, que não devem ser abafados pelo som das apresentações, com risco de prejuízos para clientes, sobretudo aqueles com necessidades especiais.

O MetrôRio, assim como ocorre nos demais sistemas do mundo, respeita o direito individual dos clientes. Para apresentações de artistas nas dependências do sistema, o MetrôRio mantém nas estações de maior fluxo, desde 2016, o projeto Palco Carioca. A iniciativa destina espaços adequados a performances musicais em dias úteis, das 12h às 20h. As inscrições para participação do projeto são gratuitas e podem ser feitas no site www.metrorio.com.br/Cultura/PalcoCarioca. No projeto Palco Carioca, o MetrôRio recolhe junto ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) os valores referentes aos direitos autorais dos compositores, o que não acontece em relação aos artistas que se apresentam livremente.”

Leia na íntegra a nota da Supervia:

“Quando o projeto de lei estadual que tratava das manifestações artísticas no sistema ferroviário foi apresentado, a SuperVia enviou manifestação contrária à sua aprovação, por entender que a medida poderia prejudicar o fluxo de passageiros, especialmente nos horários de pico. Diante da sanção da Lei Estadual 8120, publicada hoje (26/09), a concessionária tomará as medidas necessárias para cumpri-la, criando um cadastro dos artistas e organizando os horários de apresentação nas estações. Vale ressaltar que, de acordo com o artigo 4º, a realização de apresentações no interior dos trens ainda depende de regulamentação do Poder Executivo, por meio da Secretária de Estado de Transportes (Setrans). “

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