Quinto radialista violentamente agredido no Brasil

 

 

Quinto radialista violentamente agredido no Brasil

Quinto radialista violentamente agredido no Brasil

“Isso é pra você se calar e não falar mais besteira na rádio”. Sandoval Braga Júnior, diretor da Rádio União FM, no município de Jaguaruana, pequena cidade de 30 mil habitantes no nordeste do país (Ceará), ainda se lembra da mensagem dos agressores. Em 21 de dezembro passado, dois homens irromperam nas instalações de sua rádio, fizeram-no refém, forçaram-no a se deitar no chão, gritaram esse aviso, antes de abrir fogo contra suas pernas, fugindo em seguida. O jornalista, que teve a tíbia fraturada por uma bala, precisou ser operado.






Sandoval Braga Júnior, que também é diretor da Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão (ACERT), transmitia regularmente, nas ondas de sua rádio, reportagens e programas com críticas às atividades das autoridades locais e à classe política da região. Ele é o quinto radialista vítima de um ataque violento desde o início do ano. Ainda que Sandoval Júnior esteja agora fora de perigo, três outros radialistas, Marlon Carvalho, Jefferson Pureza e Jairo Sousa, estão mortos, todos abatidos a bala. Enquanto outro radialista, Hamilton Alves, escapou milagrosamente de um ataque armado no estado de Rondônia (norte do país), no último mês de abril.

“Três radialistas já foram assassinados em 2018 no Brasil, outros dois escaparam por pouco da morte. Quantos jornalistas abatidos friamente ou agredidos violentamente serão precisos para que as autoridades locais e federais reconheçam a gravidade de um fenômeno intolerável numa democracia?, perguntou-se Emmanuel Colombié, diretor do escritório da Repórteres sem Fronteiras para a América Latina. A proximidade das eleições gerais no país torna ainda mais urgente o envolvimento das autoridades, esse ataque contra Sandoval Braga Júnior, assim como os anteriores, não deve permanecer impune”.




No Brasil, sobretudo nas cidades pequenas e médias do interior do país, as rádios locais desempenham um papel fundamental, sendo fontes de informações privilegiadas – às vezes as únicas – sobre as atualidades políticas e as atividades do poder público. Os jornalistas que apresentam programas populares, com frequência descritos como “polêmicos”, são regularmente alvos de ataques desse tipo, mas também de ameaças e campanhas de intimidação, cujo ritmo costuma se intensificar com a aproximação dos períodos eleitorais. Os brasileiros serão chamados a comparecer às urnas nas eleições gerais de 7 e 28 de outubro próximos.

O Brasil ocupa a 102a colocação no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2018 estabelecido pela Repórteres sem Fronteiras.

 




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