Crime aconteceu em Nogueira; tragédia chocou a cidade e teria sido motivada por ciúmes

 Margarete de Castro Silva, de 53 anos
Margarete de Castro Silva, de 53 anos

Dezesseis dias depois de ter sido baleada pelo ex-marido, em Nogueira, Margarete de Castro Silva, de 53 anos, morreu na tarde de segunda-feira. A auxiliar de serviços gerais estava internada no Centro de Tratamento Intensivo – CTI do Hospital Santa Teresa, mas não resistiu.

A unidade de saúde se limitou a dizer que a causa da morte é “segredo de prontuário”. A morte foi confirmada às 15h35 e o corpo de Margarete removido para o Instituto Médico Legal, em Corrêas, até ser liberado para o velório, que ocorreria na noite de ontem e, na manhã de hoje seria levado para um crematório no Rio de Janeiro.

O crime aconteceu na manhã do dia 3 de dezembro, dentro da fábrica onde a vítima trabalhava. O ex-marido, o rodoviário Carlos Alberto Ramos Gonçalves, 53, se matou com um tiro no peito depois de ferir a mulher com quatro tiros que atingiram costas, braço cabeça, sendo socorrida com vida para o hospital. O gerente do estabelecimento foi baleado no braço por um dos disparos.

Os depoimentos apontam que a tragédia foi motivada por ciúmes. O crime, que chocou toda a cidade, aconteceu por volta das 7h. O rodoviário estaria tentando reatar o casamento de 14 anos. Na ocasião, o gerente informou que quando chegou para abrir o estabelecimento, a funcionária e o rodoviário estavam conversando na calçada.

Carlos Alberto, que trabalhava como motorista na Viação Cascatinha, na linha Vale dos Esquilos, estava uniformizado. Quando a porta foi aberta, Margarete entrou junto com o gerente, mas o rodoviário partiu atrás e efetuou os disparos pelas costas da vítima. Policiais militares chegaram em poucos minutos e, dentro da empresa, encontraram o rodoviário, já sem vida, caído ao lado da mulher, que estava inconsciente.

Uma tentativa de feminicídio a cada dois meses

Dados do Dossiê Mulher, do Instituto de Segurança Pública (ISP), mostram que a importância de se voltar o olhar para a questão do feminicídio em Petrópolis: no ano passado, foram seis casos, o que representa uma tentativa a cada dois meses.

O feminicídio passou a ser contado pelo banco de dados da Polícia Civil em outubro de 2016 e, portanto, 2017 foi o primeiro ano com dados completos. O Dossiê Mulher mostrou que foram registrados 68 casos no ano passado no Estado. Destas vítimas, 57,4% tiveram como acusados os companheiros ou ex-companheiros, e 52,9% foram vítimas no interior de residências. Em média, foram cinco casos por mês e 15 tentativas de feminicídio mensalmente.

Em Petrópolis, as queixas na delegacia por parte de mulheres que sofreram abusos cresceram 15%. Na cidade, mais da metade das mulheres que prestaram queixa na delegacia têm entre 30 e 59 anos, e 56,3% das denúncias tratavam de agressão verbal. Os dados também explicam que em mais da metade dos casos a Lei Maria da Pena (11.340/05) foi aplicada. No estado, o dossiê evidencia, ainda, que em média uma mulher foi vítima de feminicídio por dia ao longo de 2017.

Compartilhar

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.