Jean Baptiste Binot, cidadão francês contemporâneo de Koeler no alvorecer de Petrópolis, montou primitivamente um chácara no Quarteirão Nassau e mais tarde, no Retiro, outra maior que ainda existe lá. Aqui criou completo viveiro de plantações adaptáveis ao nosso clima das quais fazia larga exportação. A ele, deve Petrópolis, em grandes parte o renome de “Cidade das flores”.




Tão grande era o valor de Binot, que foi agraciado com uma comenda pelo Imperador e o Viconde de Taunay incluiu seu nome na obra “Estrangeiros ilustres e prestimosos.”, considerando-o notável horticultor.

Culto e perspicaz foi, talvez, o morador de Petrópolis que primeiro sentiu ou melhor avaliou a irreparável perda que constituiu para o progresso da cidade o desgraçado acidente ocorrido com Koeler no aziago, 21 de novembro de 1847.

Passados onze anos, ainda chorava Binot a morte de seu amigo Koeler, ao qual assim se referia no jornal “Parahyba” de 23 de dezembro de 1858:

“Tomou-o a morte no começo de todos os grandes trabalhos que foram esboçados por ele, mas que ficaram suspensos ou paralisados durante muitos anos. Depois de sua morte o progresso da colônia começou a diminuir em razão da má direção que tomou sua administração.

Um forte impulso fora-lhe, porém, dado, e, semelhante a uma locomotiva lançada a todo a vapor derrubando tudo o quanto encontrava em sua passagem, diminuindo a carreira progressivamente, até que mão inteligente apareça para entreter-lhe a renovar-lhe o impulso que recebera.”

E prosseguindo conta-nos o seguinte interessantíssimo episódio:

“O Major Júlio Koeler, posto que riscado da lista dos vivos, não abandonou ainda sua querida Petrópolis.

Perguntai por ele aos colonos do Bingen e eles vos dirão que o fantasma do major Koeler aparece de tempos em tempos no seu quarteirão.

Esses bons alemães, tão crédulos e supersticiosos, asseguram tê-lo visto muitas vezes ao cair da noite. Porque não?

Em 1857, por uma bela noite de julho, passeava eu pela Rua D. Afonso, entre a meia noite e uma hora da manhã, e chegando ao pé da casa do Barão do Pilar, pareceu-me ver como que um fantasma apoiado na grade. Lembrei-me do major Koeler e ouvi a seguinte lamentação:

-Oh! Petrópolis, que querem fazer de ti que deixam em tão completo abandono? Esta rua D. Afonso que eu tinha destinado para a residência da aristocracia traçando o plano das casas e alimento, não teve a sorte que lhe destinei.



E as ruas de Joinville, Maria II e da Imperatriz que destinei para morada dos fidalgos e empregados da Casa Imperial, a quem dei os melhores lugares para construírem suas habitações em torno do Palácio, não tiveram melhor sorte do que esta D. Afonso, porque todos negociaram com os favores que concedi e deram-se pressa em vender seus terrenos. Foram eles que concorreram para abatimento de Petrópolis, ao invés de procurarem engrandecê-la!

Oh! Brasileiros, havereis de reconhecer mais tarde o erro em que caístes e comprar muito mais caro, o que vendestes barato, porque Petrópolis há de ser um para vós outros um refugio a que tereis de abrigar-vos para fugir das epidemias do Rio.

Nisto, desapareceu o fantasma  e eu achei em seu lugar um manuscrito em francês, predizendo o futuro de Petrópolis que se realizará de 1856 a 1860.




Algumas pessoas que, como eu não desesperaram nunca do futuro glorioso da Petrópolis, saberão com prazer que este belo lugar está destinado a ser o mais formoso ornamento da coroa imperial.”

Texto de José Kopke Froés
Fonte: site ahistoriadepetropolis

 

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