O número de geração de postos de trabalho formais, com carteira assinada, está caindo desde 2015.

Taxa de desemprego continuará na casa dos dois dígitos durante 2019
Taxa de desemprego continuará na casa dos dois dígitos durante 2019

Desocupação fechou o trimestre de agosto a outubro em 11,7%, atingindo, portanto, 12,351 milhões de pessoas; PIB teria que crescer 3,5% para que houvesse uma grande geração de vagas.

O contingente de desempregados chegou a 12,351 milhões de pessoas (11,7%) entre agosto e outubro, o que representou queda de 3,1% ante igual período de 2017, e recuo de 4% em relação ao trimestre encerrado em julho deste ano.

Na avaliação do pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) e do IDados, Bruno Ottoni, a taxa de desemprego continuará caindo lentamente ao longo de 2019 e, dificilmente, deve ir para baixo de dois dígitos. Para isso ocorrer, o Produto Interno Bruto (PIB) deveria crescer por volta de 3,5%, sendo que as expectativas do mercado financeiro indicam expansão de 2,5%.

Segundo a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem, a taxa de desocupação ficou em 11,7% entre os meses de agosto e outubro.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) observa que este patamar, contudo, é praticamente o mesmo verificado em 2016 (11,8%), um ano de forte contração da economia.

“A reabsorção [das 12,3 milhões de pessoas] ao mercado de trabalho poderia ser muito mais rápida se o nível de atividade econômica, ao invés de perder ímpeto como vimos em muitos setores, viesse ganhando robustez ao longo do ano”, destaca o Iedi.

Desde março de 2018, a desocupação diminui, porém a passos lentos. O total de desempregados está acima de 10 milhões desde fevereiro de 2016 e na casa dos 12 milhões desde junho deste ano

O Iedi chega a definir esse cenário como um quadro de crise, dado o elevado contingente de pessoas que continuam buscando trabalho “sem nenhum sucesso”. “Em outros termos, é nadar contra a corrente para pouco sair do lugar”, destacou o instituto, em um comunicado.

Ottoni comenta que a resiliência do mercado de trabalho tem sido uma realidade persistente no Brasil, muito por conta da lenta recuperação da atividade econômica.

Ottoni detalha que esse cenário tem feito com o que número de postos de trabalho gerados na economia, em um determinado período, seja semelhante ou um pouco maior do que a quantidade de novos entrantes no mercado.

Em termos hipotéticos, significa que, enquanto a economia consegue gerar 1,2 milhão de vagas, há 1 milhão de pessoas ingressando no mercado de trabalho. Situação que acaba gerando uma absorção muito pequena das pessoas que estão entrando e daquelas que já estavam no mercado.




Ocupação

Como resultado de um cenário de recuperação lenta da atividade, o Iedi destaca que a ocupação, que voltou a crescer desde meados do ano passado, não tem conseguido manter o mesmo ritmo de expansão.

O aumento de 2% na ocupação ocorrido último trimestre de 2017, contra igual período de 2016, refluiu para 1,5% no trimestre finalizado em outubro deste ano.

“Não há dúvidas de que o grande obstáculo a ser superado é a persistente contração do emprego formal. Desde o início de 2015, o número de ocupados com carteira assinada só declina e o resultado de 2018 caminha para fechar novamente no negativo”, destaca o instituto industrial.

O coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Balistiero, também acredita que, dificilmente, a taxa de desemprego sairá de dois dígitos em 2019. Segundo ele, fatores internos e externos são entraves para a retomada da economia, o que, consequentemente, dificulta recuperação de postos de trabalho.

Internamente, a aprovação da reforma da Previdência Social ainda é uma incerteza. “Não aprovar, significa que o Estado continuará sendo um grande absorvedor de recursos”. Do ponto de vista externo, o que preocupa é o possível alinhamento do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) com as ideias protecionistas do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump.



“Além dos EUA não estarem muito preocupados com o Brasil, estamos nos alinhando com um país que deve passar por uma recessão econômica muito em breve”, considera Ricardo Balistiero.

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