Se alguém ainda tem dúvidas a respeito da recuperação da indústria de óleo e gás, deveria investigar algumas notícias recentes…

Prof. Cleveland M. Jones - Pesquisador do INOG – Instituto Nacional de Óleo e Gás/CNPq
Prof. Cleveland M. Jones – Pesquisador do INOG – Instituto Nacional de Óleo e Gás/CNPq

Será que ainda tem gente que acha que o BRASIL é um país pobre ?

Exxon Mobil acaba de anunciar que investirá US$50 bilhões nos EUA nos próximos cinco anos, dos quais US$15 bilhões já haviam sido previamente anunciados, indicando o crescente ânimo para incrementar o programa de novos investimentos da companhia (CNBC, 2018). A maior parte desses investimentos irá para aumentar a produção nos estados de Texas e Novo México, na bacia do Permiano (Permian basin), o que garante que a região continuará a ser uma das locomotivas do crescimento da produção de O&G nos EUA e no mundo, por muito tempo.

Entretanto, projetos de exploração e produção de O&G convencional tampouco podem ser ignorados, já que no atual cenário de preços elevados do petróleo (e até num cenário de preços mais baixos), muitos projetos offshore são viáveis e economicamente rentáveis. A BP estima que seus campos existentes podem produzir um bilhão de barris mais, empregando novas tecnologias, agora que os preços do petróleo justificam tais investimentos (Reuters, 2017).




Portanto, continuaremos a ver relatos de novos projetos offshore, especialmente em áreas exploratoriamente consolidadas, tais como o Golfo do México, onde a atividade exploratória está progredindo, e novas descobertas estão acontecendo (Houston Chronicle, 2018).

 

Áreas exploratórias de fronteira, que até recentemente eram ignoradas, porque estavam em águas profundas e exigiriam poços caros para atingir os alvos petrolíferos, também passaram a atrair novos esforços exploratórios, como atesta recente notícia da Total, que anunciou uma descoberta significativa em Norphlet, um play em 2.000 m de lamina d´água, e onde os reservatórios se encontram a quase 9.000 m de profundidade (Reuters, 2018).

Isto, sem sequer considerar as importantíssimas novidades que estão acontecendo no Brasil, onde a 15ª Rodada de Concessões e a 4ª Rodada de Partilha da Produção, a serem realizadas em meados deste ano, oferecerão blocos contendo recursos in place estimados em 35 bilhões de barris (ANP, 2018).

Estes números podem parecer incríveis para analistas que não estejam familiarizados com o potencial petrolífero do Brasil, mas em se tratando do pré-sal brasileiro, todas as noções preconcebidas sobre acumulações gigantes de O&G devem ser repensadas. Essa região foi avaliada em 2016, sob um cenário duradouro de preços baixos (“lower for longer”), que pode até ser conservador, dados os preços atuais do petróleo. Os recursos recuperáveis a serem descobertos (além dos conhecidos atualmente), nessa região, foram estimados entre 130 (P90) e 233 bilhões (P10) de barris (Jones & Chaves, 2016). Vale repetir: 130 a 233 bilhões de barris de óleo recuperáveis.

O México também tem demonstrado sinais de que finalmente está conseguindo ganhos concretos na tentativa de reerguer sua indústria de O&G, através das reformas legislativas aprovadas em 2014, as quais melhoraram significativamente a atratividade do país, após décadas de paralisia e produção em forte queda. O resultado final da 2ª Rodada de licenciamento de E&P resultou em US$85 bilhões em investimentos esperados nos blocos vendidos (The Oil and Gas Year, 2018).

Até os velhos campos do Mar do Norte produzirão muito além do esperado originalmente, pois a Statoil continua mostrando ao mundo que sua política de recuperar até a “última gota de petróleo recuperável” de seus campos está realmente funcionando, e estima que 7,5 bilhões de barris adicionais serão produzidos, a partir de seus esforços em projetos de recuperação avançada de petróleo (Statoil, 2018).

De regiões onshore até regiões offshore, a indústria de O&G está apresentando uma forte recuperação, apesar do ritmo de descobertas e do índice de reposição de reservas estarem em níveis recordes de baixa (Rigzone, 2017). Hoje, há um novo ambiente operacional, chamado de “new normal” na indústria do petróleo.



Nos EUA, esse “novo normal” envolve características geológicas e operacionais excepcionalmente favoráveis, da bacia do Permiano e de outras áreas de recursos não convencionais, associadas a uma capacidade extremamente rápida, em relação a projetos convencionais, de reagir aos sinais do mercado, suspendendo temporariamente operações, ou colocando em produção inúmeros poços, os chamados DUCs – “drilled uncompleted wells”.

No mundo, esse “novo normal” envolve um ambiente operacional totalmente novo, onde novas tecnologias têm reduzido os custos de equilíbrio dos projetos, os preços têm aumentado para níveis bem compensadores, e muitos plays atrativos estão voltando a serem trabalhados.

O “novo normal” para a indústria de O&G resultou em um nível de atividade muito maior, que seguramente resultará em significativos volumes de produção nova, e grandes incrementos da base de reservas, nos próximos anos.




Os players da indústria devem fazer seu planejamento estratégico para os próximos anos, levando esta realidade em consideração.

Fonte: Prof. Cleveland M. Jones, DSc
Pesquisador do INOG – Instituto Nacional de Óleo e Gás/CNPq
Membro, Geosciences Advisory Board – NXT Energy Solutions
Presidente, Academia Brasileira Ambientalista de Letras – ABAL
Vice-Presidente, IPGPar – Instituto Pró Gestão Participativa
Vice-Presidente, INEB – Instituto Nova Economia do Brasil
Presidente, Secretaria Livre do Meio Ambiente – Delegacia do Verde

 

Compartilhar

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.