Local onde morou o escritor austríaco reúne história e cultura.

O museu fica localizado na casa onde Stefan Sweig morou com a esposa Lotte
O museu fica localizado na casa onde Stefan Sweig morou com a esposa Lotte

História e cultura introduzidas pela lembrança da fraqueza humana de um austríaco que considerou o Brasil, mesmo que temporariamente, como sua pátria. Assim pode ser resumida a Casa Stefan Zweig em Petrópolis, onde morou o escritor que escolheu o solo tupiniquim, mais especificamente a Cidade Imperial para se exilar.

Além de perpetuar a vida e obra do autor best-seller de sua geração, o museu também é um memorial dedicado aos refugiados da Europa nazista durante os anos 1930 e 1940.

Localizado na rua Gonçalves Dias no número 34, no bairro Valparaíso, o museu fica exatamente na casa onde Stefan e sua esposa Lotte Zweig moraram por cinco meses até o dia em que lá cometeram suicídio, deixando para trás um amor pelo Brasil e a tristeza pelos males da humanidade.




O local reúne a história da vida e obra de Zweig, que foi um dos escritores mais lidos na Europa. Alguns de seus textos, livros e objetos pessoais estão expostos no museu.

A carta, escrita a próprio punho, agradece a hospitalidade do povo brasileiro
A carta, escrita a próprio punho, agradece a hospitalidade do povo brasileiro

No quarto onde ocorreu o suicídio, apenas a carta que deixou para quem os achasse. Na “Declaração”, como escreveu em português para chamar a atenção de quem a visse, agradece a hospitalidade brasileira e lamenta os acontecimentos no seu país de origem.

Zweig deixa à mostra sua fragilidade e tristeza diante dos acontecimentos na Europa e o declínio de seus pensamentos e os de sua esposa.

Uma das frustradas batalhas de Stefan e Lotte foi o desesperado esforço para conseguir refúgio para amigos e colegas escritores tentando escapar da Europa. No museu, essa luta tem seu espaço especial no “Cantos dos Exilados”, onde uma parede registra os nomes de parte dessas pessoas que, assim como o casal, encontrou no Brasil o seu abrigo. Uma cabine multimídia com a biografia de cada um possibilita também, que o visitante conheça mais sobre essas pessoas e que não fiquem apenas, como simples nomes na parede.

Brasil, um país do futuro

Assim Stefan Zweig definia o país tropical. O amor pelo Brasil foi instantâneo e nele, o escritor depositava sua esperança de um futuro melhor para a humanidade. “A casa é um dos equipamentos culturais para compreender o espírito da cidade, que Zweig tanto falava, e para prestar serviço à comunidade.

Aqui, vieram imigrantes de todos os cantos. Petrópolis sempre ofereceu esse espírito hospitaleiro. O Brasil é o país da acolhida, que não tem preconceitos e que para Zweig era a base da humanidade. Por isso dizia que o Brasil é um país do futuro”, explicou José Luiz Alqueres, um dos conselheiros da casa.

No museu, está em cartaz uma exposição que leva exatamente o nome do que definiu o Brasil. Quando chega, o visitante pode conferir um breve filme que o ambientaliza na casa do escritor.

Intitulado “A última morada de Stefan Zweig”, o filme ajuda a entender o processo de depressão do autor. Outro filme exibido mostra depoimentos do filósofo Conde Hermann Keyserling, que foi o responsável por chamar a atenção de Zweig para a América do Sul.



A novela “Xadrez”, escrita por ele nessa casa, também é tema de uma conversa entre os jornalistas Alberto Dines e Flávio Tavares. Flávio passou por uma história semelhante à do personagem da obra-prima.

E Dines, talvez o maior estudioso, pesquisador e divulgador no Brasil da vida e obra de Stefan Zweig, é o presidente-diretor da casa e o grande idealizador do projeto. Dines também narra outros dois vídeos exibidos em seções multimídias do museu: um sobre a casa e outro sobre o livro Brasil, um país do futuro.

Público poderá contar com uma programação cultural

Já estão previstas na programação três exposições. Uma apresentará uma coleção de cartas de Stefan Zweig ao líder fascista Benito Mussolini. Os registros pertencem a uma sul-africana, nora de um médico preso por Mussolini, que tentava ser solto pelo ditador. Sua esposa teria procurado Zweig na esperança de que ele conseguisse convencer Mussolini a soltar o marido.

Stefan achava que não tinha como fazer um movimento e decidiu, então, escrever uma carta. Para sua surpresa, soube que o líder fascista assumiu apreço por ele como escritor, dizendo até que ele era um de seus prediletos.




Um mostra com obras de Wilhelm Wollër também será apresentada ao público. Serão expostas telas do artista alemão que Adolf Hitler teria chamado de arte degenerada, já que contrariava o que o nazismo impunha. E por fim, um lançamento de livro e exposição sobre a última agenda telefônica de Stefan Zweig.

O caderno continha seus contatos pessoais com a relação de amigos e pessoas importantes. Nomes como do maestro Arturo Toschanni, Clementino Fraga, Afonso Arinos, Thomas Mann estão na lista. O livro conterá pequenas biografias dessas pessoas e sua relação com o autor austríaco.

 

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